|
|
OBRIGADO PELA SUA VISITA
BOM DIA SANTA CATARINA
|
Santa Catarina,
alexandre@alexandreacosta.com.br MODALIDADE DO TRABALHO Relato de Experiência Jornalistas preparados para atuar em assessoria de comunicação: uma saída para o mantimento do interesse ao ingresso Alexandre Acosta E-mail: alexandre@alexandreacosta.com.br
Palavras-chave: grade curricular, mercado de trabalho, interesse de ingresso. 1. O homem e as mudanças A história natural do homem enquanto sociedade permeia um trajeto de auto-reavaliação diária. Vivemos de forma constante reinventando o que já está posto enquanto conceito. Teorias são vistas, revistas e reformuladas. Enfim, entre outras coisas que podemos afirmar de certeza, uma delas é a que vivemos em constante mudança. “Há um velho ditado que diz que, neste mundo, nada é certo, com exceção de duas coisas: a morte e os impostos. E a estas duas únicas certezas, acrescentamos ainda uma terceira: a mudança. Dizer que vivemos em um mundo em constante mudança é simplesmente dizer o óbvio. Principalmente, nestas duas últimas décadas, em que a mudança vem ocorrendo a taxas explosivas e gradativamente aceleradas. A todo o momento, as referências às menores e impactantes mudanças no cenário mundial são comuns. Na verdade, vivemos em uma sociedade em constante transformação. Ficar parado, hoje, significa simplesmente andar para trás, pois o ritmo de mudança acelera-se a cada dia que passa e torna-se cada vez mais rápido e prodigioso.”
Mudar, de certa forma sempre nos incomoda, pois significa passar de um estado para outro. Representa ruptura de algo que já estamos acostumados. Mudar é transformação, perturbação, interrupção, fratura. Mas, inevitavelmente está em toda a parte em que estamos, seja em nossas empresas, no nosso trabalho, nas cidades, nos hábitos que temos, nos produtos e serviços, no tempo e no clima, enfim, no nosso dia-a-dia. O que ocorre é que toda a mudança implica algo diferente. Rompe. Gera tensão. Move. Porém, precisamos estar preparados para as mudanças. No jornalismo, após a decisão do STJ sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para atuar na profissão causou um certo desânimo naqueles que pensavam em seguir esta carreira. Não podemos negar que esta decisão influenciou a não escolha do curso por muitos. 2. Assessoria de Comunicação na prática Trabalhei na assessoria de comunicação de instituição pública e privada. Senti uma dificuldade de responder aos anseios de um setor como este, tendo em vista a demanda e as expectativas das empresas com relação a este empregado. Senti muita falta de maior conhecimento nas áreas de Relações Públicas e Publicidade, tais como exemplo: organização de um cerimonial e realização de campanhas internas. Além disso, nestas experiências ficou evidenciado as mudanças que o próprio mercado exige do profissional de comunicação. É realidade de hoje, o crescimento gradativo de empresas com assessorias de comunicação, porém é utópico afirmar que estes estão contratando jornalistas, publicitários e relações públicas. O que a empresa quer é um profissional de comunicação. Este novo perfil profissional deve também ser pensada pelas universidades na tentativa constante de acompanhar as demandas do mercado, sempre pensando em agregar conhecimentos e não revolucionar o ensino. Acredita-se que deve ser na fonte – universidades – pensada a criação de novos modelos a partir das exigências do mercado. Assim, começou-se a pensar na construção de um novo modelo de curso para a comunicação, como explica Baccega.
“Sem a ambição de revolucionar o ensino, a busca orientava-se para um modelo de curso dinâmico e flexível em processo de construção permanente. Em síntese, para adequação às necessidades geradas pela demanda, pelos avanços da ciência e da técnica e pelo movimento e oscilações do mundo: do local ao global, do social e cultural ao econômico”.
Entre as discussões estão as considerações e novos posicionamentos com relação a divisão das habilitações do curso de Comunicação Social em Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Ser gestor em comunicação é antes de qualquer coisa ser comunicador, essa delimitação não permite a divisão das habilitações. “Quanto às habilitações, estas são decorrentes das necessidades do mercado, exigidas pela sociedade, e não de discussões teóricas a respeito de suas origens. Na verdade, a teoria e a pesquisa no campo da comunicação influenciam o processo de reforma curricular do curso, porém extrapolam as questões de identidade das especializações”.
Sendo assim, a idéia de complemento é que deve nortear a gestão em comunicação, ao invés de gerar conflitos e como conseqüência, divisão. O perfil “GESTOR” deve estar presente no jornalista, no publicitário e no relações públicas como veremos a seguir. 3. Além das habilitações Podemos afirmar que a busca além da especificidade, sem dúvidas faz parte do gestor em comunicação. A demanda curricular propiciada pelas universidades nos cursos de comunicação precisa ser complementada pelo próprio gestor, onde, como primeira atitude, deve quebrar as barreiras imaginárias entre as três habilitações – jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda - buscando a todo instante a unidade em benefício da comunicação gestora.
“O perfil deste profissional, para atuar em um mercado globalizado, deve em primeiro lugar possuir uma visão generalista da comunicação e, por conseqüência não se deve estabelecer limites de atuação. Delimitar fronteiras de atuação de cada profissional é querer fragmentar o universo da comunicação e propor um ordenamento do conhecimento sem considerar as interfaces de atuação entre jornalistas, publicitários e relações públicas. Em conseqüência dessa fragmentação, formamos RP, PP e JO com conhecimentos específicos, porém com visões muito limitadas para ler o meio social, político, econômico, cultural, tecnológico e com capacidade limitada para trabalhar a comunicação de forma estratégica”.
Um comunicador deve estar pronto para qualquer trabalho da área comunicativa, não se limitando a pilares específicos de habilitações. Pois ser gestor é ser comunicador e não apenas jornalista ou apenas relações públicas ou apenas publicitário. A sociedade não depende de especificidades e sim correlaciona-se com a comunicação de forma mútua e contínua, sem apresentar áreas de maior ou menor importância. Para tanto é necessário que a comunicação integrada faça parte do pensamento gestor. Não se isolar em sua habilitação, usando a todo instante a interação com as outras habilidades também caracteriza este profissional. 4. Comunicação Integrada Com as mudanças ocorridas no mercado principalmente na década de oitenta, as empresas de comunicação também passaram por alterações. A principal consiste na idéia da comunicação integrada e não mais dividida em agências de publicidade, assessorias de relações RP e imprensa.
“A comunicação integrada, sobretudo nos anos oitenta, passa a ser quase uma exigência das organizações, que pedem serviços completos de comunicação e não mais apenas o trabalho específico de uma agência de Propaganda, de assessorias de Relações Públicas e de Imprensa ou, ainda, de uma empresa de promoção ou merchandising. Isto se torna possível, na prática, com a transformação das agências em empresas de comunicação com departamentos especializados de cada área. Hoje já é comum, nos Estados Unidos e também no Brasil, a formação de grupos de empresas especializadas, cada uma das quais respondendo por suas atividades próprias. Para o desenvolvimento de campanhas de comunicação integrada das organizações, elementos das diversas empresas, juntam-se em grupos de trabalho”.
Nos Estados Unidos os primeiros indícios da era da comunicação integrada, surgiram na década de oitenta com o enfraquecimento de agências publicitárias na prestação de serviços somente desta área (publicidade). Com as mudanças do mercado, as agências sentiram a necessidade de absorver outras funções da comunicação, conforme traz Glória Lara.
“Os anos oitenta podem estar assinalando o desaparecimento da agência de propaganda nos Estados Unidos, enquanto empresa prestadora de serviços exclusivamente publicitários. Por exigência dos clientes e pelos desafios decorrentes das novas tecnologias de mídia, ela tende a se transformar numa empresa capacitada para resolver qualquer problema de comunicação”.
Essa nova postura das empresas de comunicação também pode ser observada no Brasil, principalmente nos grandes centros, onde a concentração e a consciência por parte das empresas estão antecipadas com relação à importância da comunicação nas organizações. Assim, publicidade, relações públicas e jornalismo somariam suas habilidades em prol do cliente. A Aberp, Associação Brasileira de Relações Públicas, não acredita na permanência de um profissional ecumênico, “Acreditamos na comunicação integrada, ou seja, na atuação conjugada de todos os profissionais da área. Não há conflitos entre as diversas atividades: há somatória em benefício do cliente”. Essa também deve ser a visão do gestor de comunicação.Segundo Juarês Palma, “quando tratamos da comunicação planejada na empresa ou qualquer instituição, queremos ir além da independência linear, cronológica, que se possa admitir entre Relações Públicas, Jornalismo e Publicidade e Propaganda”. O autor acredita nas “múltiplas possibilidades e necessidades de interposição, de fusão e de reescalonamentos circunstanciais, na aplicação das funções das três atividades”. Isso nos permite afirmar que a comunicação integrada em uma organização deve ser planejada de maneira que atinja além das particularidades de cada habilitação, estas: jornalismo, relações públicas e publicidade e propaganda. “É preciso incorporar a idéia de uma comunicação globalizante, que nos ajude a compreender e acompanhar o ritmo acelerado das mudanças no Brasil e no mundo. Uma comunicação parcial e fragmentada nunca consiguirá isso”. Dessa maneira, podemos afirmar a inexistência de um jornalista gestor, de um publicitário gestor ou ainda de um relações públicas gestor de comunicação. Nesse contexto podemos assegurar a existência de um Gestor de Comunicação, que, independente da habilitação, consegue reunir características que extrapolam a linearidade especifica de cada curso, enfim, um profissional com visão ampla e atento para as tendência e necessidades de um mercado gradativamente globalizado. 5. Conclusão Enquanto isto não ocorre precisamos rever nossas grades curriculares, a fim de promovermos um curso mais íntimo com o mercado, no jornalismo, algumas disciplinas deveriam ser pensadas para inclusão na grade, tais como: Teoria e Técnica da Publicidade e Relações Públicas; Mercadologia e Promoção de Vendas; Redação Publicitária e Produção Gráfica; Produção de Periódicos Institucionais no Contexto das Novas Mídias; Estratégias de Relacionamento com a Mídia; Planejamento Publicitário e de Relações Públicas; Assessoria e Gestão Estratégica de Projetos de Relações Públicas e Produção Audiovisual em Publicidade. 6. Bibliografia CHIAVENATO, Idalberto. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. São Paulo: Atlas, 1996. BACCEGA, Maria Aparecida (organizadora). Gestão de processos comunicacionais. São Paulo: Atlas, 2002. MOURA, Cláudia Peixoto de. O curso de Comunicação Social no Brasil: do currículo mínimo às diretrizes curriculares. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. FOSSÁ, Maria Ivete Trevisan. O Relações Públicas no contexto da comunicação globalizada. . In: 1ª SEMANA DE RELAÇÕES PÚBLICAS DE SANTA CATARINA, 1., 2000, Itajaí. Anais... Itajaí: Univali, 2000. KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus, 1986. ABERP, Associação Brasileira de Relações Públicas. A atividade empresarial de relações públicas. São Paulo, 1984. KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997. [1] Alexandre Carvalho Acosta Possui graduação em Jornalismo pela Universidade Regional do Noroeste do estado do Rio Grande do Sul (2003). É doutorando em Epistemologia y Historia de la Ciencia pela UNTREF - ARG. Professor e coordenador do curso de Jornalismo da UNIARP (SC), palestrante na área de empreendedorismo, professor da Universidade SENAC no curso de administração de Caçador-SC. Experiência na área de Educação, com ênfase em Comunicação, Gestão e administração. [2] CHIAVENATO, Idalberto. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. São Paulo: Atlas, 1996.p.19 [3] BACCEGA, Maria Aparecida (org.). Gestão de processos comunicacionais. São Paulo: Atlas, 2002. p.30. [4] MOURA, Cláudia Paixoto de. O curso de Comunicação Social no Brasil: do currículo mínimo às diretrizes curriculares. Porto Alegre: EDIPUC, 2002.p.73. [5] FOSSÁ, Maria Ivete Trevisan. O Relações Públicas no contexto da comunicação globalizada. In: SEMANA DE RELAÇÕES PÚBLICAS DE SANTA CATARINA, 1., 2000. Itajaí: Univali, 2000. [6] KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus, 1986. p. 108. [7] KUNSCH, ibidem. p. 108. [8] ABERP, Associação Brasileira de Relações Públicas. A atividade empresarial de relações públicas. p. 12. [9] PALMA, Juarês Rodrigues. Jornalismo Empresarial. p.19. [10] KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Relações Públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997.p.116.
Gutenberg: A Era da Imprensa
Alexandre Acosta [1]
RESUMO
Este trabalho visa identificar as mudanças ocasionadas no período em que a imprensa de Gutenberg revolucionou a divulgação de idéias através de publicações. Quais os impactos causados na sociedade e qual a posição da igreja com relação a este fato. Para isto, o primeiro capítulo abordará sobre a história de Gutenberg (em alguns livros grifados com “m” e outros com “n”, aqui utilizaremos “m”) e seu invento. Em um segundo momento, iremos abordar sobre os impactos causados pela prensa, passando por uma análise da necessidade do homem com algumas relações como o poder e a comunicação até chegarmos às reações da igreja diante a possibilidade da maior veiculação do conhecimento até então restrito a uma pequena parcela da sociedade. Um trabalho que busca compreender algumas das consequencias que este invento causou na sociedade e sua força, que, certamente ainda sofre com o repugio de quem deseja o poder, sendo na sensura direta ou na dificuldade de acesso. Palavras-chave: comunicação, imprensa, religião. ABSTRACT
This work aims to identify the
changes caused in the period when the press of Gutenberg revolutionized
the dissemination of ideas through publications. What are the impacts on
society and what the church's position with regard to this fact. For
this, the first chapter will focus on the story of Gutenberg (in italics
some books with "m" and others with "n ", here we use "m") and his
invention. In a second step, we will address the impacts caused by the
printing press, through an analysis of the need of man with some
relations as power and communication to get the reactions of the church
before the possibility of greater knowledge transmission hitherto
restricted to a small portion of society. A work that seeks to
understand some of the consequences that this invention had on society
and its strength, which certainly still suffers from the repugio who
wants power, being in direct sensura or difficulty of access. [1] Doutor pela Universidad Nacional Tres de Febrero (UNTREF); pós-graduado em Gestão Educacional pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS); Graduado em Comunicação Social Jornalismo pela universidade Regional do Noroeste do estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ); Docente e coordenador do curso de jornalismo da Universidade do Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP). Rua José Bonifácio, 01 Ijuí (RS) Brasil. e-mail: alexandre@alexandreacosta.com.br. INTRODUÇÃO Regis Debray, no livro midiologia Geral, comenta sobre a importância do traço, que demonstra como é importante os registros para uma sociedade evoluída. A escrita através dos seus códigos e, posteriormente através da possibilidade de manter-se para a posteridade introduz-se como essencial aliada para a manutenção dos mortos em uma sociedade. O homem é o único ser vivo que é habitado pelos mortos; além disso, quanto mais civilizado for, maior será a presença deles em seu espírito. A humanidade é composta, dizia Auguste Comte, por um número de mortos maior do que o número de vivos. E ela ganha em cultura na medida em que aumenta, entre nós, o número dos ausentes. A escrita, que torna a palavra capaz de atravessar o espaço e o tempo, foi, durante um longo período, o único utensílio de sobrevida dos desaparecidos e, portanto, de humanização do homem. Durante muito tempo, foi possível dizer: verba volant, scripta manent. O som vive, mas o traço sobrevive. (DEBRAY,1980, p. 269) Debray, talvez nesse sentido, já nos dê uma importante pista sobre os motivos da igreja resistir tanto à presença da imprensa, bem como, até hoje, manter em altos níveis de segurança registros que pertencem exclusivamente à ela. Não é difícil admitirmos na crença de que as palavras de Debray eram sim, muito bem compreendidas pelos que detinham o poder e mantinham o povo sob seus mandamentos.
Embora séculos tenham passado e
a sociedade evoluído em muitos aspectos, a relação imprensa e religião
nunca parecera tão harmoniosa como nos últimos anos, no entanto, seria
esta uma relação de problemas resolvidos? Estaríamos no momento
harmonioso entre mídia e religião? A imprensa cansou? Quem venceu? Há
tantas perguntas nesta relação, algumas delas iremos ampliar neste
artigo. Nascido em Mainz, na Alemanha por volta de 1400 (entre 1394 e 1404), é um dos principais protagonistas da montagem de uma prensa melhorada, um pré-requisito para a formação da impressão tipográfica. Inicialmente trabalhava como ourives, até aprender na cidade de Estrasburgo a arte gráfica, ao retornar a sua cidade natal, no ano de 1448 tinha o sonho de imprimir uma Bíblia. Para poder financiar seu empreendimento, procurou ajuda de Johan Füst, um advogado que adiantou um valor para iniciar o projeto. Régis Debray, no livro Midiologia Geral, comenta sobre este “casamento” entre uma boa idéia e o capital a ser investido para esta tornar-se realidade. Percebemos nesse trecho uma pirâmide ainda comum nas tramitações comerciais dos dias de hoje, onde circundam em uma necessidade mútua o capital, o fabricante e o distribuidor. O capital desde esta época parece realmente ser o combustível para a explosão de qualquer tipo de empreendimento. O papel não é somente um acelerador: é também um redistribuidor de excedentes e, antes de tudo, financeiros. Desencadeia a primeira industrialização da memória e, pelo viés de um consumo de massa do suporte escrito, a entrada da troca simbólica no plano comercial. Um livro impresso é um suporte vegetal, uma reserva metálica (chumbo, estanho) e um saber prático (artesanato do metal). O suporte custa caro: 60 a 70% do preço de custo. Daí, a necessidade de capitais para colocar em ação os fatores de produção. Nascimento do trio, de que ainda não nos livramos, banqueiro-impressor-livreiro. Reunião em Mayence de um banqueiro que pretende fazer frutificar seu dinheiro, de um copista que conhece seus textos e de um trânsfuga da corporação dos ourives: Füst; Schöffer; Gutenberg. (DEBRAY, 1980, 212). Os custos aumentaram e Gutenberg solicitou mais dinheiro dando como garantia a própria oficina, no ano de 1455 Füst executa o crédito e, um ano depois, era publicada a Bíblia Mazarin, conhecida como Bíblia de 42 linhas, toda em letras góticas, com 642 páginas, continha ainda algumas ilustrações que lembravam aos vitrais de basílicas cristãs. Foram impressos 180 exemplares (150 em papel e 30 em pergaminho), restando atualmente 48 originais. Estes primeiros exemplares foram fabricados com a ajuda de pouco mais de 20 auxiliares chamados orfebres. Depois do feito, dizem que Gutemberg teria dito uma frase que, nos dias, certamente sabemos que é uma grande verdade, teria dito ele “um exército de 26 soldados pode conquistar o mundo através da imprensa”, referindo-se ao poder da imprensa através da divulgação rápida de alguma idéia. A forma como Gutenberg conseguiu, é explicada por Melvin De Fleur, no Livro, Teorias da Comunicação de Massa. Neste trecho, fica nítido que o espírito empreendedor do negócio realmente era Gutenberg, mais do que isto, foi persistente e inovador quando percebia através de experimentos iniciais que não estava tendo êxito, imediatamente testava novas formas para dar seqüência a seu projeto. A impressão como a conhecemos não foi possível até um obscuro ourives de Mainz, na Alemanha, um Johann Gutenberg, conceber um meio original de fazer tipos. Após muita experimentação, desenvolveu a idéia de fazer um molde de aço para cada letra, laboriosamente entalhado duma determinada forma. Então, ele poderia perfurar a imagem em um pequeno quadrado de metal mais mole, como o bronze. Fez um pequeno molde barro em torno do caractere, de modo que o chumbo quente pudesse ser despejado dentro para fazer um molde de letra. Esse molde poderia ser utilizado repetidamente, para moldar quantas letras individuais o impressor quisesse. Uma fez isso feito, as letras poderiam ser alinhadas em uma bandeja para formar palavras e frases. Bem firmes, poderiam ser molhadas com tinta, e um pedaço de pergaminho ou papel podia ser comprimido sobre elas. Daí resultaria uma imagem bem nítida. O chumbo mostrou-se mole demais, mas Gutenberg acabou descobrindo um meio de misturar chumbo com outros metais numa espécie de liga que funcionou muito bem mesmo.(DEFLEUR, 1993, p. 38). Sabe-se que o invento barateou o livro, o tornando mais acessível a um número maior de pessoas. Antes disso, os livros eram manuscritos, exigindo grande tempo para serem produzidos. Com a tipografia, depois de feito o trabalho com a composição de metal, podem ser feitas infinitas cópias aproveitando a mesma mão-de-obra inicial, diluindo os custos a cada exemplar. Mesmo assim, durante os primeiros cento e cinquenta anos de existência, a tipografia imprimiu apenas livros e folhetos. A impressão revoluciona esta disseminação de qualquer informação, a primeira impressão tem data em 800 d.C, como confirma De Fleur (1993, p. 37). Até o processo de imprimir uma página inteira de letras, pacientemente cavando-as em um bloco de madeira lisa, com a imagem invertida, e depois passar tinta e apertar em cima de um papel ou de outra superfície lisa, fora compreendido havia muito tempo. Os chineses haviam feito isso e imprimido o Sutra do Diamante, o primeiro livro do mundo, por volta do ano 800 d.C., séculos antes de a impressão surgir na sociedade ocidental. Todavia, estava longe do sistema de utilizar letras individuais moldadas em metal. Alguns autores defendem que a publicação mais antiga da tipografia européia seria o “Weltgericht” – Juízo Final – de aproximadamente 74 páginas, supõe-se que foi uma espécie de teste antes da publicação de maior escala com a Bíblia. DeFleur em seu livro sobre comunicação de massa, comenta sobre as primeiras impressões. Bem mais recentemente, ingressamos na Idade da Imprensa. Podemos fixar um tempo exato (1455, na cidade alemã de Mainz). Embora aproximações grosseiras da imprensa possam ser encontradas em épocas mais recuadas da história, o primeiro livro foi produzido por uma prensa que usava tipos móveis fundidos em metal, apenas poucas décadas antes de Colombo realizar sua famosa viagem. Quase da noite para o dia a tecnologia disseminara-se pela Europa toda. De lá partiu para outras partes do mundo e revolucionou a maneira pela qual desenvolvemos e preservamos nossa cultura. (DEFLEUR, 1993, p. 24). Casa Füst e Schaeffer, passou a ser o nome do empreendimento de Gutemberg, agora já com dois sócios. A empresa se expandiu devido aos aprimoramentos da tipografia, no entanto, o inventor passou a ser desconhecido. Gutemberg, sofreu com a cegueira nos seus últimos dias de vida, morrendo pobre em fevereiro de 1468. Quase quinhentos anos depois, continua seu invento contrariando muitos teóricos e estudiosos que acrediatam no fim da era da imprensa. Um exemplo é do canadense Marshall McLuhan que no livro O meio é a mensagem, de 1962, afirmou que o fim da impressão estaria chegando com a chegada forte das imagens. A era agora, segundo ele, seria a audiovisual. Sabemos que não foi assim e, atualmente, vivemos a era da informatização que também não desbancou o poder do impresso.
Embora sabemos que há visivelmente uma evolução da história do homem em sua breve passagem terrena, nota-se também que algumas características permanecem intactas, uma delas é a relação e necessidade de poder vigente em todos os períodos. A comunicação passou a ter um valor real constituído para estes que necessitavam manter, conquistar ou impor o poder. No entanto, do outro lado, há alguém ou um grupo a ser conquistado que também possui, embora muitas vezes adormecido esta sede natural. Debray relata sobre esta relação entre a subordinação e o subordinado no seu livro O Escriba – Gênese do político. A força pura é uma abstração filosófica. Nenhuma subordinação real é possível entre pessoas sem a intervenção de um elemento simbólico, idealidade lógica ou valor moral. O interesse de todo poder político consiste então em se expor como sujeito metafísico, suporte de valores universais a fim de ocultar a física dos riscos. Confundindo fim real e finalidade ideal, móvel e motivação, o poder político reabsorve sua função essencial – coletar excedentes e excessos – na missão moral ou metafísica na qual se coloca como simples executante. (DEBRAY, 1980, p. 62) Ainda no mesmo livro, Régis Debray, comenta da necessidade de uma virtualidade fundadora e, uma nomenclatura para tal feito: [...] Mesmo brutal ou repressivo, o próprio poder político se remete, por necessidade, a uma virtualidade fundadora, que faz da sujeição uma obrigação exercida em nome de um nome: Lei ou Povo, Raça ou Nação, Classe, Deus, Alá, Progresso, Civilização, Humanidade, etc. (DEBRAY, 1980, p. 62) E, por fim, discorre da necessidade de um “chefe” para gerir a tudo isto, que terá a missão de coordenar e gerenciar a outra classe. Antes da chegada da prensa de Gutenberg, a igreja tinha a consciência de que este “chefe” era ela mesma através de seus líderes religiosos, que, de um modo “ditador disfarçado”, impunha suas idéias ao povo, como se tivesse uma ligação única com a divindade, na maioria dos tempos chamado “Deus”. Talvez a preocupação da igreja com relação à chegada da prensa não estava ligada ao fato de simplesmente o conhecimento ser difundido, se não a consciência de que o poder vem das bases, como confirma Debray em uma bela metáfora entre cabeça e pés. [...] Tentem e vocês verão: os chefes voltarão sozinhos, por seus próprios membros. A ilusão vem do fato de que todo chefe tem seu domicílio legal no alto, por etimologia (caput, a cabeça); mas sua genealogia real faz com que ele venha de baixo. Cortem-lhe a cabeça, ela crescerá de novo sozinha. Ela, ou uma outra. Assim como a “hominização” biológica, a hierarquização política se faz pelos pés. O estágio de pé do primata liberta sua cara da busca alimentar, e sua mão das tarefas locomotoras. (DEBRAY, 1994, p. 76) Parece que a igreja tinha ciência deste fato, talvez por isto, rechaçou tanto a proliferação do conhecimento através da prensa, o novo invento de Gutenberg tratava-se sim de uma ameaça. Mesmo possuidora de tanto poder financeiro, a ameaça não poderia ser identificada, pois não movimentava características visíveis de identificação do “inimigo” e sim, movimentava o modo de pensar das pessoas, um verdadeiro caos para quem domina. A leitura tem o poder de ir além do discurso, pois possibilita a reflexão a partir do conhecimento individual, talvez, mais assustador para a igreja, seria o que estaria além dessa simples comunicação, o que estaria na chamada paralinguagem, como nos explica Juan Bordenave. Estaria totalmente errado aquele que pensasse que o que se transmite na comunicação é somente o DISCURSO, isto é, a mensagem principal codificada deliberadamente pelo comunicador. Na prática, em todo ato de comunicação, a mensagem central vai acompanhada de uma série de mensagens secundárias, o que constitui a paralinguagem. (BORDENAVE, 1995, p.25.
Imagine o descontrole gerado a partir da leitura por diversas pessoas, cada uma com seus códigos, signos e vivências e com interpretações a partir de seus conhecimentos. Realmente, devemos entender a preocupação da igreja. Definitivamente estava diante de seu maior inimigo. Esta reação é o que veremos na próxima seção, tentando identificar algumas das reações da igreja diante a prensa. Sua dúvida em escancarar sua contrariedade ou manter-se firme e bem posta como poder absoluto sem viés para nenhum tipo de abalo, com um discurso sólido de que o que diziam e ou pregavam, não havia meios para discussão, pois tratava-se de uma verdade absoluta que interpunha até mesmo o conhecimento humano, tratava-se de algo muito maior, indiscutível, enfim, divino.
Pensemos, se no início do século XII, já havia regulamentação com relação a espetáculos cênicos, teatros e manifestações públicas, certamente a chegada da imprensa, com a possibilidade e a disseminação de várias obras causaria um grande impacto. A igreja nesses séculos, segundo Soares (1988, p. 31), “repudiava qualquer tipo de manifestação cultural como de baixa categoria “O papa Clemente I proibiu, no ano 400, o acesso à hierarquia aos homens que se casassem com “viúvas, repudiadas, prostitutas, escravas ou comediantes”. O controle dos processos de comunicação por parte da igreja nesses séculos era definitivamente rigoroso, embora já houvesse manivestações políticas e sociais contra o processo. No entanto, parece ser de longa data a preocupação por parte da maior hierarquia católica a importância da comunicação. Não contentes apenas com as informações de seus cardeiais e funcionários pagos para trazer informações, os papas também solicitavam auxílio de outras pessoas para terem contato com o mundo externo e, certamente, assegurar-se antecipadamente do que estava ocorrendo em seu “reinado”. Isto fica evidenciado no livro Do santo ofício à libertação, de Ismar de Oliveira Soares. O papado, ciente da importância da informação, não apenas estabeleceu seus próprios canais, mas serviu-se de outros como atesta a carta de Clemente VI, escrita durante o chamado cativeiro de Avinhão, em janeiro de 1348, ao comerciante Alberto degli Alberti, proprietário de duas companhias comerciais em Florença. O papa solicitou os serviços de Alberti para manter-se a par das últimas novidades, podendo, desta forma, tomar decisões sem ser surpreendido pela desinformação. (SOARES, 1988, p. 33).
O encontro entre a igreja e a
prensa, que agora, possibilitaria a publicação de vários livros,
disseminando idéias a um número maior e incontrolável de pessoas, fez
com que a relação entre o homem e este novo objeto fosse repensada. No
livro: O escriba – Gênese do Político, Régis Debray em um capítulo
denominado “A lógica de Deus” comenta sobre as relações dos homens com
as coisas e, fica evidenciado pelo autor o fim desta relação que é
categoricamente voltado a algum tipo de vantagem. As relações entre os homens tem sempre coisas por objeto; as relações dos homens com as coisas passam sempre pelos homens. Esta dupla mediação é originária e categórica. O poder é uma relação entre sujeitos a propósito de objetos. Em outros termos, todas as formas de dominação do homem pelo homem tem por finalidade última a apropriação de certas coisas: da terra ou/e de seus produtos, dos corpos ou/e de sua força de trabalho, das fontes de energia ou/e de informação, do matéria de comunicação ou/e do raciocínio lógico. Mas se a finalidade é objetiva ou material, a relação é necessariamente moral ou lógica, uma vez que põe em relação um ser racional (“animal racional”) com um outro, que não se pode manipular como coisa inerte. (DEBRAY, 1980, p. 61-62). No início do século XVI, já se produzia milhares de exemplares em várias línguas européias, com isto a busca pela alfabetização deu um salto com a disponibilidade dos livros. A população, obviamente que ainda não em grande escala, tinha a opção da acessibilidade à leitura. Uma evolução? Talvez em nível social, porém para a igreja parecia estar nascendo um grande problema como explica DeFleur (1993, p. 39). Pela primeira vez, as Escrituras estavam acessíveis em outra língua que não o latim. Não mais podia a Igreja Romana guardar cautelosamente as escrituras sagradas graças ao emprego de uma língua antiga. A acessibilidade das escrituras pelas pessoas comuns, em suas próprias línguas, acabou levando a desafios à autoridade, e às interpretações de Roma. Um novo veículo de comunicação, pois, abriu caminho para protestos contra a estrutura religiosa e social existente. O surto do Protestantismo levou a novas modificações profundas que tiveram impacto na sociedade ocidental até os dias de hoje. Roma rege à perda do controle sobre o sistema de comunicação e, de modo autoritário, demonstrando nitidamente seu desespero, age com rigor, conforme o livro de Soares (1988, p. 36). O controle sobre a produção do saber – privilégio alicerçado na concepção de poder absoluto do papado sobre toda a sociedade – passou a correr perigo após a difusão, pela imprensa, dos movimentos contestatórios dos séculos XV e XVI. A reação católica foi violenta e, visando atingir o mal pela raiz, passou a redobrar sua vigilância sobre a publicação de livros. Decorridos apenas 40 anos da publicação do primeiro livro por Gutenberg, a universidade de Colônia, sob os aplausos do papa Sisto IV (1471-1484), instituiu a censura prévia e mandou à fogueira os livros heréticos. Mesmo utilizando a imprensa para melhorar seu sistema de cobrança de indulgências, que eram anteriormente confeccionadas a mão, em 1487, através da constituição Inter Multiplices, nascia o primeiro documento sobre a imprensa vindo da igreja, demonstrando assim a preocupação de papa em definir um pensamento para impressão, verifica-se aqui, que a justificativa para definir o que se poderia ou não publicar era dada no campo divino “No campo do Senhor deve-se semear apenas aquilo que possa alimentar espiritualmente as almas fiéis”. (DALE, 1973, p. 34). Definitivamente, o poder estava ligado à imprensa desde seu surgimento, não demorou muito para outras profissões se darem conta disso. Os conhecidos “homens do escrito”, estavam diante uma poderosa arma para atingir massas de uma forma muito eficaz, a de fazê-lo pensar. “A imprensa transformava o filólogo em agitador e, logo em seguida, o diretor de escola em comandante militar. Conferindo ao pensamento “um poder incomparável de penetração”, a imprensa utilizando o papel dotava, bruscamente, os homens do escrito com um sobrepoder sem precedentes, ampliando seu alcance de fogo e decuplicando sua cadência de tiro. “multiplicar os homens que pensam – dirá Pisarev, herói populista russo; eis o alfa e o ômega da evolução social.” A evolução, porém, reduz, Poe isso mesmo, o poder dos homens em posição de levar seus próximos a pensar (e,portanto, a agir), embora elevando-os acima daqueles que não têm acesso aos mesmos utensílios. (DALE, 1973, p. 214) Para a igreja muito pior do que fazer as pessoas refletirem, ou dar a chance de estas terem novas visões sobre o que era até então imposto, era o fato de suas influências poderem estar perdendo forças, como indica Dale, p. 216). “ E, no imediato, tudo lhes dá razão. A imprensa não começou por produzir a cultura humanista, mas por reduzir a influência da antiga”. Embora séculos se passaram, a Igreja não perdeu totalmente seu poder, mas viu seu poder quase divino receber fortes críticas. Na atualidade, podemos vivenciar na proliferação de novas formas e interpretações de estar adorando a Deus. A comunicação, neste processo teve papel fundamental e a prensa de Gutenberg foi o invento que precedeu esta possibilidade de estarmos escolhendo e ou tendo novas visões do mundo em que vivemos.
DEBRAY, Régis. O escriba – Gênese do Político. Rio de Janeiro: Retour Edições, 1980.
DEFLEUR, Melvin; BALL-ROKEACH, Sandra. Theories of Mass Communication. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora Ltda, 1993.
BORDENAVE, Juan E. Diaz. Além dos meios e mensagens: introdução à comunicação como processo, tecnologia, sistema e ciência. 7 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1995.
SOARES, Ismar de Oliveira. Do santo ofício à libertação: o discurso e a prática do vaticano e da igreja católica no Brasil sobre a comunicação social. São Paulo: Paulinas, 1988.
DEBRAY, Régis. O Estado sedutor: as revoluções midiológicas do poder. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
DEBRAY, Régis. Midiologia Geral. Rio de Janeiro: Vozes, 1993.
DALE, Romeu. Igreja e Comunicação Social, Ed. Paulinas, São Paulo, 1973.
e-mail: alexandre@alexandreacosta.com.br © 2006 – Bom Dia SC - Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Bom Dia SC. |
|